terça-feira, 21 de agosto de 2012

Vivo-Morto-Vivo.

As palavras são como vermes, se alimentando da carne morta por baixo da minha pele. Estou preso no buraco em que guardei todas as minhas mágoas, e matei qualquer um que podia me tirar daqui. Me afoguei em tudo que senti, e aquela por quem sofri nunca me deu nada de volta. Culpado fui eu, cego e bobo.
Abro meus olhos.
Revivo meu orgulho, e levanto dos mortos.
Tudo que vai, volta.

domingo, 19 de agosto de 2012

Canção de Amor.

A memória se desfaz, e o destino se combina. O amor é uma linha fina que se corta em solidão. Caminha, e anda torto, esperando uma satisfação; motivo que Deus tiver pra não querer mais felicidade, e ficar brincando de tirar tudo que dá tranquilidade. Porque vida não é o que dá, que tira e que deixa. É o que move e o que é movido, que conta e que é contado. É o chorinho que fecha toda manifestação artística, poético como uma lembrança antiga.
A batida que ecoa.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Medíocre.

Esse texto não está querendo sair.
Me sento, levanto, me ajeito de novo na cadeira e finalmente deito.
Penso, sonho acordado e durmo.
"Não tente ser o que não é, não busque inspiração onde não existe."
Talvez eu precise de mais uma paixão para reacender as chamas do meu sofrimento.
Porque não dá pra ser triste com tantas pessoas medíocres à minha volta.
Gente como você.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Crepúsculo.

É desesperador atar minhas mãos e aproveitar o teu silêncio. O vazio me corrói, e mais do que um pouco dele me desintegra. Aprendi a não insistir, mas não deixei de esperar coisa alguma que me acalme. O aperto fica maior e a esperança pula do peito. O desespero de não saber é quase pior do que não ter aprendido a sentar ao teu lado, e sussurrar palavras doces que queres ouvir... Ou que não queres, isso pouco me importa! As direi, e te farei sorrir - por bem ou por mal - até o sol raiar. Porque tu és minha insônia, e eu serei teu despertar. Por ti, de ti e pra ti, até o crepúsculo da eternidade.

Pra Nós.

- Vou escrever meus textos foscos, esperar a tarde para ouvir a tua voz e seguir teu olhar com um sorriso bobo.

- Vou te encontrar em pensamento e te desejar até ficar com raiva de mim mesma por isso, num universo paralelo a gente se vê de verdade.

- Num presente bom que ainda não veio, e num passado vazio e cheio! com lembranças e xícaras de café... Ah! Se o tempo ensinasse a vontade a falar, você sentiria meu coração em teu passo trôpego. Não desista ainda, o dia quase amanheceu...

B.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Eternidade.

Nossos olhos se encontrarão, e a batida do teu coração encerrará o silêncio. Tua pele tocará meus calos, e teus lábios me farão sarar. Teus dentes me farão sangrar, e tua ausência me fará tremer. Teu sorriso será parte meu, e meus minutos antes de dormir serão inteiramente seus; Sempre e Para Sempre, até o fim do mundo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Lembrança Gélida.

Não conseguia pegar o trem e ir. Porque antes de mim mesmo, era dela de quem tentava fugir. Não do indivíduo em si - antes fosse - e sim de sua imagem; A perfeição me perseguia e, com essa, trazia uma velha amiga: A morte. É crível que Deus, em sua ganância, pegue de volta antes do tempo os presentes mais valiosos, e mesmo assim ainda tão cruel...
Não procurava mais um rosto, e sim lembranças. O uso de entorpecentes veio logo depois, principalmente de alucinógenos. Queria qualquer ilusão relacionada a ela, boa ou ruim, pois até as mais terríveis visões que aqueles remédios poderiam me causar não seriam piores do que acordar dos sonhos em que aquela mulher ainda vivia para me amar.
Chegou a hora de embarcar: fechei os olhos e olhei para todas as coisas que deixaria para trás. Não conseguiria correr do fantasma com isso, e - por mais que me doesse admitir - eu já sabia, mas precisava fugir de todo o resto que me envenenava. Porque todo aquele lugar me trazia sua memória mais do que me era necessário - ou saudável.
Entrei no vagão e disse adeus a todas as coisas que já me fizeram bem alguma vez na vida, e jurei a mim mesmo nunca mais retornar. Decidi então que a felicidade não me era mais útil, pois toda vez que ela se escondesse, eu voltaria a passar dias em prantos, pelas prateleiras da biblioteca. Resolvi que só me recordaria dela outra vez no meu leito de morte, para poder passar do prazo antes da melancolia sorrir pra mim.
Nos meus próximos anos de vida, eu percebi que a felicidade também se esquecera de mim.