Um buraco
me abre o peito
e tudo some.
Mas quem foi que disse
que é teu direito
me esvaziar?
O que te faz pensar
que eu te quero aqui?
Não foste tu que escolheste ir?
Pois fiques longe
do meu sossegar!
Ao que te diz respeito:
eu não sei amar.
(a)
segunda-feira, 16 de março de 2015
domingo, 15 de março de 2015
Vida.
Sequidão.
Decepção, amargura e indiferença
(cronologicamente).
Noção de espaço, de tempo e de insignificância.
Noção do nunca e contestação do sempre.
Crise.
Valorização do ócio, do edonismo e do prazer.
Vício.
Queda, perda de valor e de identidade.
Rouquidão.
Perda de eloquência e de coerência.
Ausência de motivos.
Experiência.
Inexatidão de resultados.
Exaustão.
Perda na produção intelectual e material.
Ócio, tédio e dor.
Morte.
Cronologicamente.
Decepção, amargura e indiferença
(cronologicamente).
Noção de espaço, de tempo e de insignificância.
Noção do nunca e contestação do sempre.
Crise.
Valorização do ócio, do edonismo e do prazer.
Vício.
Queda, perda de valor e de identidade.
Rouquidão.
Perda de eloquência e de coerência.
Ausência de motivos.
Experiência.
Inexatidão de resultados.
Exaustão.
Perda na produção intelectual e material.
Ócio, tédio e dor.
Morte.
Cronologicamente.
sexta-feira, 6 de março de 2015
desvios
Com tantos mestrados,
doutorados e diplomas,
certificados de conhecimento,
especialistas de momento,
manuais de instrução e quebra,
seguro contra quebra, seguro
contra morte, roubo, furto,
incêndio, será que estamos
seguros? remédio contra gripe,
rouquidão, homossexualidade,
catarro, remédio contra burrice,
contra feiura, espinhas, contra
nós mesmos e os bons efeitos
colaterais: pseudotumor cerebral,
alucinações, delírio, visão
turva, manchas na pele, perda
parcial do tato, do olfato, da
decência, da humildade, da
humanidade e da noção plena de
desumano, queimaduras, sangramento,
psicose, dores musculares, coriza e
perda de opinião justamente quando tem
tanta gente gritando "vote" porque
é bom você votar e comer e fumar
e beber e transar sem querer transar,
ser batizado e ter que rezar:
rezar por ter transado e votado
e comido e fumado e bebido do
jeito errado, ganhar um papel
que diz que você foi perdoado
por tudo que você já fez ou
deixou de fazer por medo:
medo de morrer, de cair, de
se envergonhar, de chorar, de
sorrir, de tentar e não conseguir,
de sossegar o pensamento e dormir,
medo de sofrer, de voltar, de andar
sozinho e não chegar porque disseram
que tem que ter medo de andar só,
de dormir só, de morrer só, mas aí
já é tarde porque você tem medo de
viver, então pra que servem tantos
mestrados e doutorados e diplomas,
tantos assassinos de oportunidade,
tantos sequestradores de vontade,
certificados do emburrecimento e
do processo de ignorância plena
quando todos nós, sem exceção,
somos iguais na fila do pão?
doutorados e diplomas,
certificados de conhecimento,
especialistas de momento,
manuais de instrução e quebra,
seguro contra quebra, seguro
contra morte, roubo, furto,
incêndio, será que estamos
seguros? remédio contra gripe,
rouquidão, homossexualidade,
catarro, remédio contra burrice,
contra feiura, espinhas, contra
nós mesmos e os bons efeitos
colaterais: pseudotumor cerebral,
alucinações, delírio, visão
turva, manchas na pele, perda
parcial do tato, do olfato, da
decência, da humildade, da
humanidade e da noção plena de
desumano, queimaduras, sangramento,
psicose, dores musculares, coriza e
perda de opinião justamente quando tem
tanta gente gritando "vote" porque
é bom você votar e comer e fumar
e beber e transar sem querer transar,
ser batizado e ter que rezar:
rezar por ter transado e votado
e comido e fumado e bebido do
jeito errado, ganhar um papel
que diz que você foi perdoado
por tudo que você já fez ou
deixou de fazer por medo:
medo de morrer, de cair, de
se envergonhar, de chorar, de
sorrir, de tentar e não conseguir,
de sossegar o pensamento e dormir,
medo de sofrer, de voltar, de andar
sozinho e não chegar porque disseram
que tem que ter medo de andar só,
de dormir só, de morrer só, mas aí
já é tarde porque você tem medo de
viver, então pra que servem tantos
mestrados e doutorados e diplomas,
tantos assassinos de oportunidade,
tantos sequestradores de vontade,
certificados do emburrecimento e
do processo de ignorância plena
quando todos nós, sem exceção,
somos iguais na fila do pão?
quarta-feira, 4 de março de 2015
plástico
Estou afundando em um
lodo de monotonia com
cigarros velhos e tossidos
de uma boca rouca e sem
voz, sem cor, sem sangue
sangrando frio e dor
vomitando lembranças em
banheiros sujos de bar
e digerindo o passado
com a acidez do amanhã
quero esconder entre as
almofadas velhas e mofadas
o meu rosto velho e tosco
quero arrancar-me a pele
triturar-me em medo e
embrulhar, em saco plástico
meu estômago pra viagem.
lodo de monotonia com
cigarros velhos e tossidos
de uma boca rouca e sem
voz, sem cor, sem sangue
sangrando frio e dor
vomitando lembranças em
banheiros sujos de bar
e digerindo o passado
com a acidez do amanhã
quero esconder entre as
almofadas velhas e mofadas
o meu rosto velho e tosco
quero arrancar-me a pele
triturar-me em medo e
embrulhar, em saco plástico
meu estômago pra viagem.
terça-feira, 3 de março de 2015
Regozijo.
Quero poder te agarrar, te chupar,
me enfiar em ti e tirar.
Quero te fazer gritar, gemer,
uivar de prazer e de cura.
Quero que, de tua testa,
gotas de suor pinguem,
como um silencioso "obrigado".
Quero te lamber dos pés às orelhas,
passando pelos mais indizíveis e
insensatos cantos da tua pele.
Quero as voltas dos teus mamilos e
a suavidade dos teus outros lábios.
Quero que minha mão faça parte de ti
e que minha boca sinta o teu amargo gosto.
Quero te arrancar da pele que te aprisiona
e te meter tão forte que viraremos um só.
Quero destruir-te, desejar-te e te refazer,
quero te saciar e te insaciar,
quero te viciar em mim;
me enfiar em ti e tirar.
Quero te fazer gritar, gemer,
uivar de prazer e de cura.
Quero que, de tua testa,
gotas de suor pinguem,
como um silencioso "obrigado".
Quero te lamber dos pés às orelhas,
passando pelos mais indizíveis e
insensatos cantos da tua pele.
Quero as voltas dos teus mamilos e
a suavidade dos teus outros lábios.
Quero que minha mão faça parte de ti
e que minha boca sinta o teu amargo gosto.
Quero te arrancar da pele que te aprisiona
e te meter tão forte que viraremos um só.
Quero destruir-te, desejar-te e te refazer,
quero te saciar e te insaciar,
quero te viciar em mim;
Conscious.
It makes no sense that, in one moment, you mean the world to someone and, in another, you mean nothing. Life can be so pathetic, meaningless in the beauty of the universe, yet so painful. It's like I never meant anything to anyone because it always fades away. People forget and time passes by, but somehow I remain here (do I?), and that's depressing. I don't think I have a real motive to be sad, but I can't find anything that makes me happy. It's an existential crisis, I guess. I don't know why I exist and I fail to see what good I'm doing in this world. I'm empty, just like everyone else. Except I'm conscious of my emptiness.
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