domingo, 6 de maio de 2012
Inverno.
Perdi a calma que me abatia, e perdi a vida que me entristecia. Acabei com meus semelhantes, e matei toda a consciência. Roubei a felicidade de outros que não tinham tanto dela a oferecer. Usei a máscara de personagens que tanto me fizeram amadurecer. Fingi para meu coração bater, e fingi que conseguiria fingir, mas nada me restou além do sorriso falso, que tanto lutei para manter. Gargalhei de piadas fúteis para a profundidade não me atingir. Corri do Diabo, e a mão do Diabo me tornei. Estendida, ofereço o mesmo que tive, esperando que minha solidão se acabe ao ter um monstro semelhante a mim. Larguei aqueles que me prendiam ao que era bom desse mundo, e percebi que de bom nunca ele teve nada. Vivi no ócio, que me corroeu até me deixar pálido como a morte. Bati na porta da escuridão, que me convidou para entrar como uma velha amiga. Encontrei abrigo, e deixei-a preencher meu ser. Minhas mãos trêmulas aos poucos tomaram coragem para abrir a porta e deixar mais alguém entrar. Era tarde demais, e aqueles que se faziam presentes não estavam mais lá para me confortar. A porta se fechou, e daquele inverno se fez meu lar.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Interior.
Seus olhos azuis aos poucos se escureceram, e a maldade não se conteve dentro dele. Seu andar ficou cada vez mais sombrio, seu olhar, cada vez mais frio. Sua voz não tinha o som melódico de antes, era agora rouca. Seus ouvidos foram parando de funcionar, de tanto que ouviu o que não devia. Dentro dele cresceu um monstro. Um monstro que quebrou o coração de outros por inveja, por não ter onde apoiar suas dores. Apodreceu a alma, corroeu a consciência. Tudo por dentro parecia um pântano. Olhou-se no espelho, e seu reflexo se fechou. A vida o deixou ainda jovem, e morte não o acompanha como fazia antes. É a ausência de tudo que o deixou assim: vazio. Sozinho, morreu como todo homem de fé: desafiou a si mesmo, e sua existência o destruiu.
domingo, 29 de abril de 2012
Ainda Mais Sozinho.
Só um qualquer pode entender que o que eu sinto por você não passa de um nada misturado ao acaso. E aos poucos quando vir, os pedaços vão se unir, formando a desculpa perfeita que me deixa livre da liberdade. Parto em busca da busca que me fez partir. Sento na cadeira que se fez, esperando algum motivo, e piso no amor que me deixaram, esperando uma recompensa. Ninguém existe mais.
sábado, 28 de abril de 2012
Sorriu.
Abriu a mão, e dela sairam todas as possibilidades.
Jogou o passado na lixeira, recolheu suas memórias e guardou no armário sujo.
Chutou para o canto todas as poesias de sua cabeça, encontrou uma gaveta vazia e lá colocou seu coração.
Abriu a porta e deixou aberta. Saiu.
Começou a andar e sorriu.
Correu, pulou, caiu, jogou, perdeu e ganhou.
Viveu.
Faleceu no dia 2 de setembro de 1994, mas seu coração continua batendo naquela gaveta.
Jogou o passado na lixeira, recolheu suas memórias e guardou no armário sujo.
Chutou para o canto todas as poesias de sua cabeça, encontrou uma gaveta vazia e lá colocou seu coração.
Abriu a porta e deixou aberta. Saiu.
Começou a andar e sorriu.
Correu, pulou, caiu, jogou, perdeu e ganhou.
Viveu.
Faleceu no dia 2 de setembro de 1994, mas seu coração continua batendo naquela gaveta.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
O Andarilho.
Ele tropeçou, e com a mochila foi a memória pra longe. O chão passou por cima de sua cabeça fútil e de lá brotou um pensamento.
Meio tonto, o insignificante se levantou e ajeitou sua postura e continuou a andar.
Chegou em casa e dormiu, comeu e arrumou a cama.
Olhou.
Matou-se, pois viu que dali nada mais prestava.
Meio tonto, o insignificante se levantou e ajeitou sua postura e continuou a andar.
Chegou em casa e dormiu, comeu e arrumou a cama.
Olhou.
Matou-se, pois viu que dali nada mais prestava.
Mais Um Rosto.
Mais um rosto desconhecido que se vai, esperando pelo juízo final. Um piscar de olhos acontece e tudo acaba. Aquilo que mantinha a lágrima presa nos olhos dos familiares e amigos é destruído pela notícia. Marca-se o enterro para o dia seguinte, tudo acontece rápido demais. Talvez ela esperasse que outra pessoa escrevesse esse texto e não eu. Não, com certeza não esse alguém tão frio e distante, que passa a maior parte do tempo longe do mundo real. Era importante pra mim. Poderia ter sido melhor, mais longo. A morte poderia ter reconhecido o quanto ela valia e a deixado mais um pouco. A tristeza vem e vai, como o frio. Não é algo que possa ser descrito em palavras, embora tenha feito isso aqui muitas vezes. Talvez seja a ausência de palavras para descrever algo tão profundo que a defina. Espero o tempo passar sem olhar o relógio. Francamente, estou cansado de olhar o relógio. Estou cansado da mesma ausência de tudo que me aquece, e ao mesmo tempo a presença de tudo que tenta me destruir. Eu quero que tudo acabe, mas o fim já chegou e foi embora e eu ainda não percebi.
Sentirei sua falta.
Sentirei sua falta.
Momento.
De todos os lugares que queria estar e de todas as pessoas que disse que
queria que estivessem na minha presença, você é a que chega mais perto
das inúmeras definições de saudade que já escrevi.
E a falta é o que eu tento manter, por medo de que sem ela nada mais sobre além de uma infinidade de assuntos sobre tudo que não volta mais.
A flecha atravessa o ar e fura a pele até chegar o coração. A história se repete com diferentes personagens, que se vêem em um estranho e doentio jogo envolvendo lágrimas, chocolates, roupas íntimas e uma tristeza no fim da tarde de domingos chuvosos.
Se o motivo da sua dor for alguém, esse alguém é muito idiota. Se for alguma coisa, ela não tem tanta importância assim.
Não se deixe levar pelo momento se esse momento não for só seu.
E a falta é o que eu tento manter, por medo de que sem ela nada mais sobre além de uma infinidade de assuntos sobre tudo que não volta mais.
A flecha atravessa o ar e fura a pele até chegar o coração. A história se repete com diferentes personagens, que se vêem em um estranho e doentio jogo envolvendo lágrimas, chocolates, roupas íntimas e uma tristeza no fim da tarde de domingos chuvosos.
Se o motivo da sua dor for alguém, esse alguém é muito idiota. Se for alguma coisa, ela não tem tanta importância assim.
Não se deixe levar pelo momento se esse momento não for só seu.
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