segunda-feira, 17 de abril de 2017

Secreto.

E esse ciúme proibido que fere, mas não pronuncia? Ele cala e, ao calar, se alastra – como um fungo em ambiente fechado. Arranha por dentro pra mostrar que quer, de todo jeito, libertar-se na boca e no peito e devorar todo e qualquer duvidar. E podem dizer que o amor dói, mas o amor calado rasga e devora por dentro. Como praga, devasta silenciosa – silêncio esse que vibra e quase toca a língua. A vontade de falar fere de tanta míngua e, quando vai ver, é como se o rosto gritasse o que os olhos tentam esconder: "eu quero poder-te viver". Mas se te vivo, tudo estraga: fica o delírio e o resto se apaga. Quanto de ti já saiu do meu lado? Quanto de mim se perdeu no passado?

domingo, 12 de março de 2017

Preciso ir.

Eu perdi a vontade de escrever. Acho que eu deixei secar junto com o choro, que foi abafado pelos gritos da multidão enraivecida. Será que as bruxas se sentiram assim ante à fogueira? Será que existe alguma delas do outro lado pra me receber? Sei que não existe, mas, mesmo em meu leito, minha mente tende à fuga através da esperança. Meu peito bate mais forte e eu digo a mim mesmo que existe solução: quando eu me for, eles vão. Quando souberem, soluçarão como crocodilos velhos e talvez até aprendam alguma coisa. Talvez minha morte seja, para a platéia, mais inspiradora do que as minhas incessantes tentativas de oferecer a outra face. Aí vem-me outro pensamento: culpa. Talvez não seja minha responsabilidade, mas culpa eu tenho. Devia ter reagido enquanto era tempo e me declarado, antes de tudo, louco. Afinal, já que a verdade não funciona, é preferível ser louco a objeto. Me desumanizaram e eu deixei: culpa. Me maltrataram e eu implorei perdão: patético. Mas eu também não escolhi bem meus irmãos, que me amaram apenas enquanto convinha. Apesar desses tantos, má pessoa eu não fui. Alguns imprevistos aconteceram – considero essa carta um deles, por exemplo, pois já devia ter-me ido – mas não tive uma vida de todo mal. Diverti-me, é o que importa. É engraçado pensar que, se nada de mim for desvendado, eu só vou sair como o mal perdedor que sou. É verdade: não aceitei, por um segundo apenas, te-la perdido tão cedo. Talvez inclusive não seja por eles – e sim por ela – essa minha viagem de última hora. Nesse caso, eu peço um favor, caro leitor: se perguntarem por que parti, não diga "por mágoa".
Diga "por saudade".

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Texto

Estamos no começo do século 21, mas não parece século algum. De alguma forma, quase ninguém pensa sobre o que está fazendo, é tudo muito rápido o tempo todo. Essa semana lançou um novo Iphone e novas dez trending topics no twitter, não dá pra acompanhar tudo. Mais do que antes, acredito, temos hoje noção da nossa ignorância. As crianças, aos dez anos de idade, já sabem mexer mais no celular do que nós, adultos, que, aos poucos vamos ficando pra trás. Mas o que fizemos, afinal de contas, para melhorar? Será que reavaliamos nossas ideias como deveríamos e conseguimos mudar nossos julgamentos antes de sermos levados pela maré do cotidiano? Estamos cansados sim, lutamos pelas nossas próprias causas. Ganhamos algumas, perdemos todo o resto. Não somos muito bons, não fomos muito marcantes, talvez? Somos aqueles que viveram dois séculos afinal de contas, não deveria existir algo que nos marcasse pra história? Não tivemos nenhuma Guerra Mundial, mas também não tivemos nenhum grande profeta. Acostumamo-nos a pensar menos, a fazer menos, a aceitar mais. Será que todos os outros antes de nós foram assim? O que deveríamos estar fazendo de diferente? Fomos ensinados e ensinamos de volta o que não se podia fazer, mas o que não se pode mais fazer hoje em dia? Como agir se de repente o mundo diz “esquerda” quando ha cinco minutos atrás dizia “siga reto”? Imagino eu que não seja nossa culpa, também, que os mares estejam poluídos com o nosso lixo, que o ar esteja poluído com os nossos carros, que os nossos pulmões estejam poluídos com o nosso Marlboro vermelho. Fomos colocados no mundo cedo demais, eu diria – caso a própria frase também pudesse ter algum sentido de lamentação por si própria. A verdade é que tivemos a chance, poderíamos ter mudado. Olhando bem, poderíamos ter feito muita coisa e “amado ao próximo.” Terminamos relacionamentos, não é mesmo? Inclusive eu posso ter terminado com alguém que um dia estiver-me lendo, então aproveito a ocasião pra perguntar: por que deixamos de nos falar? Fomos crianças também como eles, mas por que nunca termos tido a coragem de encarar o outro e dizer “Ei, como vai você? Éramos bem loucos, não é mesmo?”. Acho que a culpa também não é nossa por isso, fomos ensinados a esquecer porque era mais fácil. Acho que essa é a palavra, é por ela que estamos todos aqui vendo as crianças cometerem os mesmos erros que nós cometemos com a televisão à cores. Não temos coragem de olha-los nos olhos e dize-los “Eu errei e isso dói, eu não quero que você seja eu. Por favor me ouça.” porque isso seria admitir o problema e talvez precisar concerta-lo. Mas como encarar um problema que você tem ignorado pelos últimos vinte anos e esperar que ele seja mais fácil de resolver do que na época em que você desistiu dele? Eu não sei, mas preciso de uma resposta.
Talvez escrever ajude nisso. É o que o meu psicólogo me diz, mas ele tem grandes chances de ser um adulto estúpido igual ao resto de nós. Espero que, na faculdade de humanas, eles pelo menos tenham fritado mais seus cérebros com LSD e anfetaminas pra descobrirem algumas das coisas que nós não tivemos coragem de tentar. Talvez aí o mundo tenha jeito. Meu psicólogo fala que toda geração tem o mesmo problema e brinca que isso é um dos porquês de existirem psicólogos. Eu rio com ele, mas não acho graça. Afinal de contas, eu estou pagando pra resolver um problema que eu não queria precisar encarar, mas encaro. Aí ele me receita “remédios pra alma”, como meditação e leituras leves.

Eu acho que o pessoal de humanas fritou mesmo seus cérebros.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Utopia.

Que dor redescobrir você na infantilidade minha. Te achei jogada, entre papéis, discreta e sozinha, esperando o fim. Tuas palavras não me foram suficientemente vagas para que eu pudesse lê-las sem doer e, teus perfumes, embora um dia tragáveis nessa folha colorida, não resistiram à decomposição do nosso tempo. Que vontade eu tenho, hoje mesmo, de te encontrar andando, propositalmente acidental sorrindo e tropeçando pela rua. Logo eu, que pensei ter bebido o suficiente pra não mais sentir saudade de quem eu fui. Eu, que te cantei em vão e te reservei, em vão, um lugar só nosso. Ainda eu que te guardo no segundo andar do nosso café e te lavo nas lágrimas de todos os meus outros passados sem querer dizer: a cicatriz é permanente. E os teus cachos não me deixam mentir, e minha escrita não me deixa dizer, mas ainda dói. Dói e, enquanto eu não te esquecer e queimar as cartas que eu escondi no segundo andar de nós dois, temo que ainda irá doer.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Felícia.

Eu sofro de amnésia. Não é como se eu esquecesse de tudo, mas também não lembro nada. Às vezes uma pessoa passa por mim na rua e me pergunta como eu estou, mas nunca sei se conheço essa pessoa. Falo despretensiosamente, mas algumas vezes a pessoa me pergunta se eu já esqueci dela.
Por conta da minha condição, eu nunca sei pra quantas pessoas eu já contei sobre esse meu problema.
Um dia desses, conheci uma mulher na cafeteria ao lado do apartamento onde eu moro. Ela me disse que o nome dela era Felícia. É um bom nome. Conversamos sobre as mais diversas coisas, sobre as nossas vidas e tudo ao redor delas. O que eu não lembrava, eu inventava. Me tornei muito bom em inventar pra não desagradar as pessoas - talvez por prática.
Nos encontramos na cafeteria novamente no dia seguinte e no dia depois daquele. Da terceira vez, eu disse que queria mostrar a ela a minha casa. Dormimos juntos. O tempo inteiro, eu senti uma sensação estranha, como se já conhecesse Felícia. Acho que me apaixonei, pensei. Não sei como é a paixão, não tenho muitas lembranças dela.
Depois de algum tempo ela começou a frequentar a minha casa e eu a dela. As coisas estavam ficando mais sérias, então resolvi conta-la sobre a minha condição.
Felícia, eu tenho amnésia.
"Mentira", disse ela.
Será que ela disse isso?
Expliquei os detalhes da minha doença e pude ver seus olhos se enchendo de lágrimas. De início, achei que ela fosse terminar comigo. Afinal, quem quer viver com um cara que qualquer hora dessas pode se esquecer do próprio nome? Olhei-a bem nos olhos e pedi desculpas. Disse que entenderia caso ela fosse embora e que não ficaria com raiva caso isso acontecesse. "Eu vou ficar bem", eu disse, "não se preocupe comigo.
"Não é isso, imbecil" - nós nos chamávamos assim às vezes, mas de uma forma carinhosa. "Eu não quero que você me esqueça", balbuciou.
Olhei-a no fundo dos olhos e disse-a que jamais a esqueceria. Abracei-a, deitamos na cama e ficamos juntos até um dos dois cair no sono.
Os meses se passaram. O meu problema continuava, mas parecia cada vez menos grave. Felícia havia se acostumado a me encontrar desorientado em vários lugares, eu deixei o número dela na discagem rápida do meu celular. Ela me levava pra casa, então me acalmava e me fazia um café. Dormíamos juntos e no dia seguinte era como se nada tivesse acontecido. Felícia me amou. Se eu amei Felícia, eu não me lembro, mas espero ter amado. Ela foi o que me manteve inteiro por meses - ou anos? - da minha vida.
Mas a vida não é um conto romântico. Pra ser sincero, nem esse conto é um conto romântico, então foda-se. Conforme todo relacionamento, o meu e de Felícia foi perdendo, aos poucos, a luz. A rotina instaurou-se como um fungo e foi, aos poucos, tirando o gosto de tudo que tinha ali. Meus surtos de amnésia diminuíram, mas ela continuava na discagem rápida do meu celular. Ainda assim, toda vez que ela ia me buscar, eu sentia um olhar de cansaço familiar. Nos bons dias também não éramos diferentes. Quando nos encontrávamos, não tirávamos a roupa e íamos pro quarto como antes. Quando nos despedíamos, não era com a dor da saudade, como antes. Pra ser bem sincero, eu sentia uma sensação de alívio toda vez que me via sozinho no meu próprio espaço depois de uma "Temporada de Felícia".
Decidi que já estava na hora de terminar aquele relacionamento. Chamei-a pro café, lugar que nunca mais frequentamos desde que nos descobrimos na cama. Já havíamos ido pra outros lugares além das nossas casas, claro. Fomos pra museus. Fomos pra bares e, quando sobrava dinheiro e estávamos cansados da rotina, íamos gastar tudo em um restaurante caro qualquer. Ainda assim, achei que a cafeteria seria o melhor lugar pra terminar.
Enfim chegou o dia, nos encontramos e começamos a conversar. Eu pude sentir que ela estava inquieta, mas fez de tudo pra não demonstrar. Rimos e trocamos opiniões sobre os mais diversos assuntos, de uma forma como não fazíamos há muito tempo e eu me senti feliz de estar ali.
Fomos pra minha casa. Tiramos a roupa como fazíamos antes e transamos. Foi um bom sexo, apesar de tudo. Quando terminou, ela virou pro lado e não falou nada. Perguntei o que houve, mas ela se conteve e respondeu, em respiração ainda ofegante, um apenas "nada". Levantei da cama e caminhei na direção ao lado dela. "Precisamos conversar", eu falei.
"Eu sabia!" ela gritou, como nunca havia gritado antes.
"O que houve?"
"VOCÊ SABE O QUE HOUVE"
"Olha, Felícia, eu não sei se estamos dando certo."
"Como não está? Você não é feliz comigo?" indagou, enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas.
"Olha, não é isso..."
"Você só quer esquecer de mim!" disse, balbuciando.
"Felícia, eu NUNCA vou esquecer você."
Obviamente, eu estava mentindo. Já havia esquecido de outras antes dela e sabia que, longe da minha rotina, ela não duraria muito tempo. Ainda assim, não queria que ela se sentisse pior do que já estava, então continuei dizendo.
"Não tem como eu me esquecer desses teus olhos castanhos, desse seu sorriso tímido..."
"Não. Não, não, não, NÃO! Você já disse isso ANTES!"
Eu não me lembrava de ter dito nada, mas aquela definitivamente não era a hora pra ressaltar esse detalhe. "Eu estava falando a verdade!", bradei.
"Não tem jeito. Por mais que eu te ame, nós nunca daremos certo juntos."
"Felícia, nós nem temos tido bons momentos."
"PARA DE ME CHAMAR DE FELÍCIA! VOCÊ VAI TERMINAR COMIGO DE NOVO!"
"Eu não queria te ofender, amor... Como assim de novo?"
Nesse momento, ela arregalou os olhos e olhou pra mim como quem fala mais do que deve. O silêncio invadiu o quarto por alguns segundos, que pareceram minutos. Pisquei os olhos e caiu a ficha.
"Como assim de novo, Felícia?", perguntei.
Ela olhou pra baixo, envergonhada. Pude ver uma lágrima caindo no seu colo e molhando a barra do vestido amarrotado que ela usava.
"Nós namoramos antes", ela confessou. "Você terminou comigo por um motivo bobo, assim como está fazendo agora. Tem mais. Meu nome não é Felícia, mas fiquei com medo que você reconhecesse meu nome ao me encontrar na cafeteria."
Olhei-a enquanto tentava entender o que estava acontecendo. Fiquei espantado, envergonhado, puto. Me senti invadido, mas feliz - mas invadido.
"Sempre que você dizia que nunca ia me esquecer, eu tentava sorrir e fingia que era verdade. A verdade, entretanto, é que eu vou ficar devastada por cinco anos e você por cinco minutos."
Eu não sabia o que dizer. Ela estava certa. A partir do momento que ela saísse da minha casa, ela seria deixada pra trás, como todas as minhas memórias anteriores. Abracei-a bem forte, como não fazia há meses.
"Qual o seu nome real?", perguntei.
"Amanda".
"Amanda é um bom nome. Você sabia que foi o nome da minha primeira namorada?"
"Sim."
"Era você?"
"Sim.", respondeu-me, de forma irritada.
"Me desculpe por não lembrar."
"Tudo bem, eu já estou acostumada com isso...", respirou fundo. "Eu sabia que esse momento iria chegar mais cedo ou mais tarde. Não é sua culpa."
"Como foi da última vez?"
"Foi perfeito", ela falou, em voz de choro.
"Não, não isso."
"Ah, você quer dizer o término? Foi uma merda. Eu disse que não aguentava mais a forma como você me tratava, que você não gostava de verdade de mim. Não era verdade. Eu só estava insegura. Tinha medo que você me deixasse por uma mulher do seu antigo trabalho."
"Qual era o meu antigo trabalho? Perguntei."
"Você trabalhava na cafeteria."
"Isso explica como eu sempre sou tratado bem lá, o atendimento é um lixo."
"É, eu sei", disse ela, já mais calma sobre a situação.
"E o que eu fiz quando você disse aquelas coisas?"
"Você disse que eu podia ir embora. Você disse que não importava o que eu fizesse e o quanto eu reclamasse de nós dois, porque no final você me esqueceria por cinco minutos e eu levaria cinco anos."
"Quanto tempo faz isso?"
"Cinco anos."
"Ah... Aí você foi embora?"
"É."
Notei que meus olhos estavam molhados. Eu senti pena dela. Por mais que eu tentasse, eu não estava mais apaixonado. Por mais que eu visse agora quão boa ela era, eu não podia continuar existindo em uma mentira.
Enxuguei as lágrimas com as costas da mão e falei:
"Amanda, eu sinto muito estarmos terminando, eu sinto mesmo. Eu te amo."
"Você nunca me disse isso.", retrucou.
"Mas é verdade. Talvez eu não soubesse antes, mas agora eu sei."
Ela me abraçou forte e começou a chorar também.
"Ei, Amanda..."
"Diz."
"Quanto tempo levou pra que eu te esquecesse da última vez?"
"Eu não sei, acho que uns dois meses".
"Você pode me fazer um favor?" disse eu, começando a chorar ainda mais.
"Qualquer coisa, meu amor."
"Me espera por mais dois?"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Vou parar de tragar nós dois.

Cá estou eu de novo. Ainda não terminei minhas tarefas diárias da semana passada, mas também não te superei. Estou há três dias sem chorar e quatro minutos sem sorrir. Vendo assim, até acho que estou bem. Queria tomar um banho de chuva pra lavar nós dois, mas será que preciso? O cheiro do teu perfume no meu travesseiro é confortável e reconfortante. Mas não me leve a mal, você não move a minha vida. Eu marco o tempo com paixões como você, eventualmente eu vou parar de tragar nós dois e fazer algo interessante. É cedo demais pra dizer, mas acredito que essa tenha sido a última vez pra mim. Amar é sempre formidável – apaixonar-me, por outro lado, nem tanto. Esse cigarro que eu fumo também é meu último, mas ainda haverão muitos outros últimos dele. Tenho lido aquele teu livro que nunca te devolvi e sempre coloco as tuas roupas pra lavar, por mais limpas que elas estejam. Aos poucos, eu vou desbotar nós dois na marra e não tem nada de muito especial nisso tudo. O tempo sempre passa – e passa de uma forma engraçada! No passado, você foi meu futuro. No presente, você é meu passado. O que será que resta de você pro meu futuro? Talvez alguma lembrança dessas tuas roupas manchadas, talvez nem essas. O livro?

Voz de fundo.

Lembra de quando você não era nada além de uma voz na minha cabeça? Nós passeávamos de um lado para o outro em harmonia, bebendo e, ocasionalmente, fumando mais do que deveríamos. Às vezes discordávamos, mas você sempre tinha razão. De todas as formas possíveis, você sempre foi melhor do que eu em fingir que acertou. Eu sabia que eu estava errado. Afinal de contas, eu sou você, por que eu não pensei nisso antes? Não importa, acho que eu estava entretido demais com a sua existência pra ignorar a falta dela. O que fizemos de errado, eu e você? Quando foi que você se tornou tão perversa e quando foi que eu comecei a engolir esse comportamento sem questionar? Me sinto um sócio aposentado da empresa que eu criei. De alguma forma, você conseguiu alcançar o maior de mim, os 51% para tomar o controle. De algum jeito, eu hoje sou mais você do que eu mesmo, você assumiu a direção nessa viagem. Mas tudo bem, não precisamos ser inimigos. Eu te protegi e sempre foi assim, agora você vai me proteger. "A moralidade é opinião", você disse. Eu espero que estejamos certos nisso, querida amiga, ou estaremos destruindo o pouco que resta de tudo que já foi bom no mundo.