quinta-feira, 30 de abril de 2015
Para o que foi perdido.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Psychosis.
Hollow, I'm empty
(I am, I am, I am, I am).
Sanity is leaving me slowly.
There are no voices,
There's nothing wrong with me.
Avoid the suffering, ignore.
Ignore them, ignore... me.
I am not, I was not, I will not be.
Who am I? Who is she?
Benjamin Charles Hampton
Cut the nails off, Jerry.
I don't want this hair on my...
(I am, I am, I am, I am)
I said cut the nails, Jerry!
Paint the walls red.
Dinner is ready, darling!
Don't play with scissors, don't
Don't you dare, Jerry...
(I won't, I am, I am)
Perfect.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Se você for...
Não me sujeite à pequinês.
Se você for, bem, por favor,
Não me enfeite de acidez.
Se você for, não volte!
Se for pr'eu ir, me solte!
Se eu for frio,
Não me esquente.
Se eu for chato,
Não me aguente.
Se eu for errado,
Não me ensine.
Se eu for mimado,
Não me mime.
E se você for, meu bem,
Não vá.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Matando pássaros.
Parte 1
Não deixar de escovar os dentes.
Não deixar de tomar banho.
Sempre dizer "com licença" e "obrigado".
Sempre usar o cinto de segurança.
Tirar notas altas na escola.
Não ir de madrugada para a cama dos pais.
Não pular no sofá.
Não deixar louça suja na pia.
Não deixar de almoçar ou de jantar.
Não imaginar bobagens.
Não deixar a torneira aberta.
Não deixar as luzes acesas.
Não desobedecer os pais.
Não faltar aula.
Não deixar roupa jogada pela casa.
Não ter medo do escuro.
Não ter medo de monstros.
Tratar bem os animais.
Não ir brincar antes de estudar.
Sempre rezar antes de dormir.
Não sonhar alto.
Não chorar em silêncio.
Não ir dormir tarde.
Não brincar com a lâmina de barbear.
Não acordar tarde.
Não acordar.
Parte 2
Não enlouquecer.
Não arrastar os passos pela casa.
Não acabar com o cigarro.
Não se acabar.
Não ouvir as vozes da sua cabeça.
Não esperar pelo melhor.
Não abdicar do dinheiro.
Não abdicar do arrependimento e da amargura.
Não matar os pássaros.
Não perdoar antigas desavenças.
Não temer o escuro.
Não temer a solidão.
Não temer a morte.
Não se submeter a vícios.
Não alimentar os pobres.
Não reclamar.
Não reagir.
Não opinar.
Não acordar.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
So le tra - nos.
Soletra-me de cabo a rabo
Tira-me o vestido que me veste
Arranca-me a pele e a saudade
Arranca de mim o ócio
Arranca de mim meus gritos
Sossega-me nos teus lábios secos
Fuma minha dor no teu cachimbo
Despedaça-me no lençol da cama
Despedaça-me no pára-brisa
Despedaça-me em várias outras
Insinua-me nos teus sonhos
Lambe minha pele nua
Lambe o meu sentimentalismo
Lambe minha existência
Cospe fora minha ausência
Cospe fora meu pudor
Ignora minha inocência
Ignora-me na cama
Espanca-me de vontade e ópio
Resgata-me da incoerência
Sufoca-me nos teus suores
Segura-me em ti pra sempre.
Segura-te em mim agora, amor.
Solta só quando eu mandar.
Rotinária.
Eu fui devastado pelo cotidiano
e todos os meus prazeres se tornaram formulários:
assinados, enviados e postos em espera para análise mais minuciosa;
para uma diversão mais apropriada;
para uma padronização do meu sentir;
para o meu próprio bem.
Mas meu sorriso industrial enferrujou, querida,
Por isso a confusão.
Por isso esse rosto sempre satisfeito
e essa alma insaciável.
terça-feira, 14 de abril de 2015
quase uma ideia só.
menos do que humano, eu sou
quase uma ideia só, saltitando
nos palpites e palpitações do
seu "subconsciente coletivo"
eu sou um ser mísero, micro
em um macro-universo lascivo
nocivo, ácido de diversas formas
em diversas dimensões, eu estou
absolutamente imerso, dormente
na seiva grossa de agonia e pudor
que preenche as lacunas do futuro
eu sou só mais um fruto podre
me decompondo na imensidão do
espaço, sou um exemplo sujo
dessa amargura cuspida na cara
de uma sociedade vazia e doente.