sábado, 7 de dezembro de 2013

Mar.

Você é o mar que me tira a calma, é a falta que o último cigarro faz. Você é lembrança, esperança e desilusão, filha da perdição. Você é o bem que mata, a justiça que condena os malfeitores. É gosto do meu próprio veneno injetado no coração. Você é tudo que falta pro mundo perder toda a razão, pois me tira o ar e me tira a vontade de respirar. Sua graça tira a cor do mundo e rouba a luz das estrelas, escraviza meus pesadelos e reescreve minha razão.
Se isso é paixão, temo que o amor seja bem pior do que eu imagino.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ah não!

Trancado numa cela,
Aí vem ela!
Nela que está meu cheiro.
Beiro à morte por seu gosto,
Um oposto de liberdade.
Enfermidade, entretanto,
De tanto enlouqueci
Esqueci o medo.
Tão cedo que fui liberto,
De céu aberto, fiz prisão.
Ah não! Ah não! Ah não!
Aí vem ela.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Não tente, não venha.

Não mostre-me feitos seus que não pedi pra ver, não seja patética! Não se submeta a tratamento tão absurdo por reconhecer minha capacidade intelectual. Aliás, não finja que reconhece. Você, com todos os risos toscos e agonias fingidas, me provoca repulsa. Não venha enviar-me charmes, pois não me tentará ao desespero. Eu quero sua juventude, não seu caráter.
Por sinal, minha querida, é exatamente caráter que lhe falta.

domingo, 24 de novembro de 2013

Teu.

Tua alma se espelha em minha cor, se espelha em meu perdão. Tuas mãos, frias e macias, trazem a dor que guardo de tantos meses, tantas vidas. Toda a presença que não é tua me envenena, toda lembrança que guardo de outros me destrói por me afastar de ti. Aos poucos, deixo o que fui para me tornar o que pareço ser: frio, insípido, oco. Não sei por quanto tempo o coração vai bater, quantas memórias sobrarão antes do fim, mas peço perdão pelo atraso. Saiba que faleci junto a ti, e só nego tua ida para poder adiar a minha.
Pois sou tua sombra e tua continuação.
Para sempre teu.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Resquício.

A cama me desarrumou, me deixou com esse gosto de chuva. O dia me quebrou, a decepção me consumiu. Estou juntando cada pedacinho de gente que encontro pra me reconstruir, cada resquício de alma. Sou um pobre pedindo esmola, mendigo de lembranças, colecionador de sonhos. Sou um pedaço de zé ninguém, lutando pra me levantar em um mundo que me quer caído. A cama é só uma parte de todo esse processo de oxidação interna, me puxando e me tentando ao ócio. Minhas raízes se prenderam a esses lençóis no momento em que encontraram paz, mas acabou.
Não existe paz para alguém como eu.

Natural.

Estou esperando a vida me consumir pra ser um pedacinho de árvore.
Eu não ligo para o que a natureza tem reservado pra mim, eu quero ser uma árvore.
Uma vez me perguntaram se eu queria ser pássaro.
Não.
Eu quero ser árvore.
Árvores não precisam comer, falar ou andar. Árvores não conversam, não brigam, não fazem guerras, não transam.
Mas sentem.
Mas pensam.
Nascido árvore, morrido árvore.
É isso que eu quero ser.
Sempre árvore.
Do início ao fim.