segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Resto.
Eu estou existindo dentro de um canudo de plástico, pois sou resto do que sobrou da bebida de alguém. Não é nem Coca-Cola, por sinal: é Pepsi. Como se não bastasse ser resto, sou resto de "pode ser". Mas se não eu, que outro resto seria? Que outra parte de alguém seria capaz de pensar tudo que penso e sentir tudo que sinto? Há algum outro capaz de exercer tal função como eu? E se há, onde está? Não posso sair e gritar para o mundo, denunciar minha presença. Não tenho boca, fala, voz. A que isso me leva? O que é a vida pra mim, senão um canudo de plástico? Sou parte de algo que não criei, não pedi pra estar aqui e ainda assim sei muito pouco de onde estou: Quem era esse alguém? Qual é a história dessa pessoa? O que há do lado de fora desse lugar? Sou uma gota, mísero pedaço de qualquer coisa, me perguntando porquês e poréns de uma existência sem sentido. E o pior? Estou em casa, sem nenhuma previsão de futuro ou esperança, ocupado sendo resto de outra pessoa.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Fuga.
Me encontro atordoado por essa correnteza de emoções. Caminho pelas ruas do desgosto, danço por entre as mentiras e ilusões de mais uma garrafa de vinho. Não tenho direção ou porquê, não guardo qualidades ou lembranças, somente vou.
E indo, eu fujo daqui.
E indo, eu fujo daqui.
sábado, 7 de dezembro de 2013
Todos Vocês.
Vou me expressar da seguinte forma:
Não é trauma ou pavor,
Nem fobia ou horror,
Mas odeio todos vocês.
Não é por faltas cometidas
Ou juras nunca cumpridas
Que odeio todos vocês.
Não é por vícios e manhas,
Artifícios ou artimanhas,
Que odeio todos vocês.
Não é por coração quebrado.
Na vida, não fui mal amado,
Mas odeio todos vocês.
Não tenho consideração,
Não admiro perdão
E odeio todos vocês.
Não sofro de alma sensível
E isso torna indizível
O quanto eu odeio vocês.
Não por pura decepção,
Agonia ou frustração,
Que odeio todos vocês.
Mas isso
Com certeza
Ajuda.
Não é trauma ou pavor,
Nem fobia ou horror,
Mas odeio todos vocês.
Não é por faltas cometidas
Ou juras nunca cumpridas
Que odeio todos vocês.
Não é por vícios e manhas,
Artifícios ou artimanhas,
Que odeio todos vocês.
Não é por coração quebrado.
Na vida, não fui mal amado,
Mas odeio todos vocês.
Não tenho consideração,
Não admiro perdão
E odeio todos vocês.
Não sofro de alma sensível
E isso torna indizível
O quanto eu odeio vocês.
Não por pura decepção,
Agonia ou frustração,
Que odeio todos vocês.
Mas isso
Com certeza
Ajuda.
Falta.
Falta de mim a vida
Alma pro corpo andar
Falta, da morte, o sal
O gosto me tira o ar
Teus beijos me afogaram
E o cheiro teve fim
No travesseiro.
Alma pro corpo andar
Falta, da morte, o sal
O gosto me tira o ar
Teus beijos me afogaram
E o cheiro teve fim
No travesseiro.
Mar.
Você é o mar que me tira a calma, é a falta que o último cigarro faz. Você é lembrança, esperança e desilusão, filha da perdição. Você é o bem que mata, a justiça que condena os malfeitores. É gosto do meu próprio veneno injetado no coração. Você é tudo que falta pro mundo perder toda a razão, pois me tira o ar e me tira a vontade de respirar. Sua graça tira a cor do mundo e rouba a luz das estrelas, escraviza meus pesadelos e reescreve minha razão.
Se isso é paixão, temo que o amor seja bem pior do que eu imagino.
Se isso é paixão, temo que o amor seja bem pior do que eu imagino.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Ah não!
Trancado numa cela,
Aí vem ela!
Nela que está meu cheiro.
Beiro à morte por seu gosto,
Um oposto de liberdade.
Enfermidade, entretanto,
De tanto enlouqueci
Esqueci o medo.
Tão cedo que fui liberto,
De céu aberto, fiz prisão.
Ah não! Ah não! Ah não!
Aí vem ela.
Aí vem ela!
Nela que está meu cheiro.
Beiro à morte por seu gosto,
Um oposto de liberdade.
Enfermidade, entretanto,
De tanto enlouqueci
Esqueci o medo.
Tão cedo que fui liberto,
De céu aberto, fiz prisão.
Ah não! Ah não! Ah não!
Aí vem ela.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Não tente, não venha.
Não mostre-me feitos seus que não pedi pra ver, não seja patética! Não se submeta a tratamento tão absurdo por reconhecer minha capacidade intelectual. Aliás, não finja que reconhece. Você, com todos os risos toscos e agonias fingidas, me provoca repulsa. Não venha enviar-me charmes, pois não me tentará ao desespero. Eu quero sua juventude, não seu caráter.
Por sinal, minha querida, é exatamente caráter que lhe falta.
Por sinal, minha querida, é exatamente caráter que lhe falta.
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