Abre as asas e volta a dormir.
Prisão cruel que não o deixa ir.
Culpa do homem que o aprisionou?
Culpa dele, que não quis fugir?
Reclama por ser cuidado, reclama de reclamar.
Reclama por não morrer de fome, por ter onde ficar.
Canta, canta. Canta por querer voar.
Então voe, pássaro infeliz.
Voe e me deixe viver em paz.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Pobre Maria.
Era uma vez Maria, uma invejosa.
Se falava mal é porque queria ter, mas não podia.
Se falava bem é porque não ligava.
Um dia Maria parou para ouvir o que estava dizendo.
Ficou tão horrorizada que não dormiu.
No dia seguinte perguntaram à Maria o que ela achava de um vestido, mas Maria não respondeu.
Ela não aguentava mais ouvir a própria voz, então se calou pra sempre.
Ninguém nunca mais ouviu Maria falar.
Se falava mal é porque queria ter, mas não podia.
Se falava bem é porque não ligava.
Um dia Maria parou para ouvir o que estava dizendo.
Ficou tão horrorizada que não dormiu.
No dia seguinte perguntaram à Maria o que ela achava de um vestido, mas Maria não respondeu.
Ela não aguentava mais ouvir a própria voz, então se calou pra sempre.
Ninguém nunca mais ouviu Maria falar.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Vir, Ver, Viver.
Falta de chá, de chão,
De paixão.
Vida doida, doída.
Vida dormida.
Vir, ver, viver,
Dormir.
De paixão.
Vida doida, doída.
Vida dormida.
Vir, ver, viver,
Dormir.
domingo, 25 de novembro de 2012
Segredos.
Tu és a escuridão, e eu sou a Lua.
És a doença, e eu sou a cura.
Tu és, por maior que sejas, menor que tudo.
E maior que nada.
Tu és o frio, e eu sou o fogo.
Tu és a vida, e eu sou o caos.
Tu me completas, e eu te destruo.
Até o fim, querida.
Pois teu fim sou eu.
És a doença, e eu sou a cura.
Tu és, por maior que sejas, menor que tudo.
E maior que nada.
Tu és o frio, e eu sou o fogo.
Tu és a vida, e eu sou o caos.
Tu me completas, e eu te destruo.
Até o fim, querida.
Pois teu fim sou eu.
Câncer.
Sofro pela morte da música que movia meu corpo para um novo dia.
Sofro pelo toque da sua pele, que não me toca mais.
Sofro pelo desejo, que me deprime por não desejar.
Sofro por ela, que me viu em outros mais do que em mim mesmo.
E sofro por mim mesmo, que viu nela mais do que ela foi.
Sofro pelo toque da sua pele, que não me toca mais.
Sofro pelo desejo, que me deprime por não desejar.
Sofro por ela, que me viu em outros mais do que em mim mesmo.
E sofro por mim mesmo, que viu nela mais do que ela foi.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Silêncio.
Sentado no quarto, em agonia, fujo de mim mesmo pelas frestas na minha mente; infinitas rachaduras, denunciando seu estado deplorável.
Atravesso teu perfume e encontro o nada.
Estou em um espaço branco, olho pra trás e não vejo coisa alguma além da fresta que me trouxe até aqui. Fugi de meu único refúgio, fugi da minha única prisão.
Fecho os olhos e me imagino, abro-os e lá estou eu.
Sou o Deus de meu próprio mundo agora.
Fecho os olhos mais uma vez, e dessa vez imagino tudo ao meu redor.
Faço prédios, ruas, bairros e cidades, e aos poucos a Terra se molda à minha imagem e semelhança.
Abro os olhos e estou no meu quarto, de novo.
Ainda falta alguma coisa...
Fecho os olhos, e me imagino segurando uma faca.
Abro-os e me apunhalo no coração.
Acabou.
Está tudo em seu devido lugar agora.
Atravesso teu perfume e encontro o nada.
Estou em um espaço branco, olho pra trás e não vejo coisa alguma além da fresta que me trouxe até aqui. Fugi de meu único refúgio, fugi da minha única prisão.
Fecho os olhos e me imagino, abro-os e lá estou eu.
Sou o Deus de meu próprio mundo agora.
Fecho os olhos mais uma vez, e dessa vez imagino tudo ao meu redor.
Faço prédios, ruas, bairros e cidades, e aos poucos a Terra se molda à minha imagem e semelhança.
Abro os olhos e estou no meu quarto, de novo.
Ainda falta alguma coisa...
Fecho os olhos, e me imagino segurando uma faca.
Abro-os e me apunhalo no coração.
Acabou.
Está tudo em seu devido lugar agora.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Geladeira.
A solidão me devora a alma, e me quebra a respiração.
Valorizo demais a dor que o vazio me causa...
Deve ser fome.
Abro a geladeira, mas ela não tem o que preciso.
Eu preciso de amor.
Preciso de uma piada.
Como se coloca um elefante dentro da geladeira?
Desisto de procurar e fecho a porta.
Termino um pacote de biscoito e vou dormir.
Como será que se coloca amor dentro da geladeira?
Valorizo demais a dor que o vazio me causa...
Deve ser fome.
Abro a geladeira, mas ela não tem o que preciso.
Eu preciso de amor.
Preciso de uma piada.
Como se coloca um elefante dentro da geladeira?
Desisto de procurar e fecho a porta.
Termino um pacote de biscoito e vou dormir.
Como será que se coloca amor dentro da geladeira?
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