sábado, 9 de junho de 2012
Acidente.
Fitei meus olhos em sua essência, e vi o que não devia. Fechei as portas e caminhei pelo corredor da vida. Fingi acontecer, e mentiram ao acreditar. Sorri da boca pra fora, e o destino me embebedou. O pânico assoprou em meu ouvido e me mudou por dentro. Adivinhei o resultado e acidentei-me, fechando a porta da felicidade. Fugi da realidade, e a realidade se esqueceu de mim. Dormi e acordei, mas nada voltou ao lugar.
Desperdiçado.
A insanidade me deixa, e o normal se faz do impressionante. Caminho pela minha cabeça em círculos e me alimento da alma que ainda me restou. Tudo está acabando e o enjôo toma conta do meu estômago. Vomito a hipocrisia enquanto a ironia ri da minha cara. Marco a pele com o passado, e não me deixo abandonar a esperança de que tudo cai, tudo morre. Reescrevo a história e moldo a felicidade como posso. Trabalho em um estranho conforto de vida, e os objetivos se esfaqueiam, caindo um a um dentro da minha consciência. Imaculado o coração, nasce um câncer, que se espalha até apodrecer todo o resto da poesia.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Naufrágio.
Velejo nas mais inóspitas terras para encontrar o pensamento que me trouxe até você. Procuro a noite para avistar seus olhos, e sua imagem vem até mim na neblina. O navio é velho, um daqueles que já passaram por muita coisa e nunca afundaram. A tripulação, mais experiente ainda, e diante da miragem não se deixa abalar. Continuo navegando em direção ao desconhecido, esperando que o enorme buraco negro a minha frente me engula. Mas antes de perceber, sou jogado para uma outra linha de pensamento, e mergulho em seu sorriso. Tão bonito, esse, que marinheiros tão eficazes ficaram estupefatos. E o navio, velho e ancorado na dor, finalmente aceita o mar como seu único e verdadeiro amigo, e o amor como o causador de seu naufrágio.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Sufocar.
Trocar o vício de cigarros pelo vício de pirulitos.
Trocar o vício de pirulitos pelo vício da solidão.
Tomar café à tarde.
Escrever textos em dias de chuva e deitar na cama.
Dormir ao som da inquietude.
Desenhar ao suspiro do silêncio.
Comemorar mais um objetivo destruído, matar a calma.
Correr e permanecer no mesmo lugar.
Sair da normalidade para entrar na monotonia.
Cair em tentação.
Cantar a canção da inutilidade,
Apagar as ideias tolas.
Sorrir ao perceber que ainda sente,
Chorar ao perceber que de nada adianta.
Continuar fugindo da realidade,
Resgatar o que nunca foi essencial.
Tirar teu coração do ócio,
Morrer com a verdade letal.
Trocar o vício de pirulitos pelo vício da solidão.
Tomar café à tarde.
Escrever textos em dias de chuva e deitar na cama.
Dormir ao som da inquietude.
Desenhar ao suspiro do silêncio.
Comemorar mais um objetivo destruído, matar a calma.
Correr e permanecer no mesmo lugar.
Sair da normalidade para entrar na monotonia.
Cair em tentação.
Cantar a canção da inutilidade,
Apagar as ideias tolas.
Sorrir ao perceber que ainda sente,
Chorar ao perceber que de nada adianta.
Continuar fugindo da realidade,
Resgatar o que nunca foi essencial.
Tirar teu coração do ócio,
Morrer com a verdade letal.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Saudade.
Quis viver pra ver no que que dá, quis pular e não voltar mais pro chão. Quis nadar em chocolate, me rebelar contra a realidade e comer pipoca doce todo dia. Quis olhar as estrelas e perceber que tenho muito a explorar, mas o sono me abraçou até o céu parar de piscar. Quis roubar pensamentos soltos e fazer uma máquina capaz de entender tudo que se passa, e me dar uma resposta para tudo que ainda virá. Quis perguntas idiotas e quis justificativas enigmáticas. Eu pedi o mistério, mas o óbvio se convidou pra festa. Comi arroz, feijão e cresci. Hoje quero querer o que já quis, e afugentar a rotina, que me tira dessa vontade de passado.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Casca.
Em versos mudos, escrevo minhas últimas palavras.
Corto a corda que me impede de cair no abismo, e suspiro o medo de algo novo.
Meus pés já não sentem mais o chão, e o vento frio acaricia minhas lágrimas.
Minha mente não se encontra mais lá, pois eu sonhei. Eu dormi acordado, e acordei dormindo.
Minhas asas se abrem e o céu me convida para entrar.
Me livro dessa casca e me enterro na eternidade.
Corto a corda que me impede de cair no abismo, e suspiro o medo de algo novo.
Meus pés já não sentem mais o chão, e o vento frio acaricia minhas lágrimas.
Minha mente não se encontra mais lá, pois eu sonhei. Eu dormi acordado, e acordei dormindo.
Minhas asas se abrem e o céu me convida para entrar.
Me livro dessa casca e me enterro na eternidade.
O Último.
Não importa o quanto você peça, nada vai mudar.
Ando sem ter direção, só ando para frente, em uma calçada cheia de gente que tropeça em mim e não liga. Meu cigarro vem acompanhado da vontade de continuar, e chegar no meu destino antes que ele acabe parece vital. Passo por pessoas da minha idade, mas não sinto que nenhuma delas pertence a mim, e que eu não pertenço a nenhuma delas. Eu sou um velho de quase setenta anos; infantil, impaciente, inseguro e extremamente irritado com coisas sem importância. Quero parar a cada cinco minutos para descansar, mas se fizer isso o cigarro acaba. É o último.
Atravesso a rua, falta só meio quarteirão.
Continuo andando e perco o caminho. O cigarro chega ao fim.
Pego um maço no meu bolso, acendo outro e começo a andar.
Espero o sinal fechar e atravesso a rua, andando pela calçada sem direção.
Continuo a fumar e me perco nos meus pensamentos.
Espero que não acabe antes de chegar ao meu destino.
É o último cigarro.
Ando sem ter direção, só ando para frente, em uma calçada cheia de gente que tropeça em mim e não liga. Meu cigarro vem acompanhado da vontade de continuar, e chegar no meu destino antes que ele acabe parece vital. Passo por pessoas da minha idade, mas não sinto que nenhuma delas pertence a mim, e que eu não pertenço a nenhuma delas. Eu sou um velho de quase setenta anos; infantil, impaciente, inseguro e extremamente irritado com coisas sem importância. Quero parar a cada cinco minutos para descansar, mas se fizer isso o cigarro acaba. É o último.
Atravesso a rua, falta só meio quarteirão.
Continuo andando e perco o caminho. O cigarro chega ao fim.
Pego um maço no meu bolso, acendo outro e começo a andar.
Espero o sinal fechar e atravesso a rua, andando pela calçada sem direção.
Continuo a fumar e me perco nos meus pensamentos.
Espero que não acabe antes de chegar ao meu destino.
É o último cigarro.
Assinar:
Postagens (Atom)