Culpe as drogas.
Culpe a pressão do cotidiano, culpe a sociedade.
Culpe os outros.
Culpe o passado, o inevitável, o desperdício.
Culpe os filmes, as músicas, as novelas da Globo.
Culpe a alienação.
Culpe o descaso, os hospitais públicos, a escola, o Estado.
Culpe o destino, o Diabo, a razão divina.
Culpe tudo.
Menos você.
Nunca assuma a culpa.
(Não vale a pena.)
domingo, 22 de junho de 2014
sábado, 21 de junho de 2014
Ilusório.
Toda essa mentira me enoja, essa falsidade me faz perder a fome. Tuas garras me arrancam a pele e exibem a dor da minha carne frustrada, velha, arrebentada pelo tempo e descamada pelas estações. Todos os truques destinam-se a me manter aqui, imóvel, enquanto tu abaixas minha calça e sugas minha essência. Como não caí no encanto, se teu efeito é letargia? Porque teus olhos de vadiagem te perseguem, menina, revelam teu paladar por sangue. Mais do que isso, tua boca te declara culpada. Ninguém tão puro beija de forma tão sutil e cruel, ninguém tão bom diz mentiras tão delicadas. Tu frustrara meus pecados, me fizera de desejo, mas passou. Tu és uma mentira no final das contas.
Ninguém existe como tu, pois tu não existes de forma alguma.
Agora suma da minha frente.
Tenho outros a subjugar.
Ninguém existe como tu, pois tu não existes de forma alguma.
Agora suma da minha frente.
Tenho outros a subjugar.
domingo, 8 de junho de 2014
O Silêncio.
Queria que a tua existência
pudesse cobrir meus olhos
para a crueldade do mundo.
queria que tua perfeição
me bastasse para viver em paz.
(...)
Minhas mãos
calam o choro
enquanto teu perfume
se desvai
na solidão da calma.
Penso, sinto,
dói.
Tua ausência dói,
e dói de novo!
Pois toda raiva,
e angústia
não conteve
uma única gota
de ti.
Toda ganância,
toda crueldade
não resistiu
perante tua bondade.
Perto desta,
nada sou,
de nada sou
digno.
Mas longe dela
a dignidade
perde a cor.
E perto de nós,
Ah, amor...
O mundo me deixa
e deixa de importar
e viver ao teu lado
se torna
excepcionalmente
digno.
(...)
Tua beleza
não reside na pele,
Tua melodia
não reside na voz
Tua saúde
não reside na carne,
Tua grandeza
não reside em ti.
(Ela reside em mim.)
(...)
O silêncio é a única melodia
que reside em minh'alma
Quando a boca fala,
Quando o coração palpita.
(Quando não o faz para ti.)
É o que me governa
quando a luz me falha
e a esperança queima.
(...)
Estou me perdendo
para mim mesmo,
(Salve-me!)
lutando
contra a própria sombra
que me mantém ileso
enquanto tento
ferir-me em teus braços.
Sou vítima
do próprio medo,
que me priva de tanto sofrimento,
que me protege de tanta alegria.
(...)
Chegou a hora.
Somente algo
tão estupidamente bom
poderia resistir
a tanta desordem.
Somente alguém
suficientemente humano
poderia amar
algo como eu.
Somente eu
para poder negá-la.
(Adeus.)
pudesse cobrir meus olhos
para a crueldade do mundo.
queria que tua perfeição
me bastasse para viver em paz.
(...)
Minhas mãos
calam o choro
enquanto teu perfume
se desvai
na solidão da calma.
Penso, sinto,
dói.
Tua ausência dói,
e dói de novo!
Pois toda raiva,
e angústia
não conteve
uma única gota
de ti.
Toda ganância,
toda crueldade
não resistiu
perante tua bondade.
Perto desta,
nada sou,
de nada sou
digno.
Mas longe dela
a dignidade
perde a cor.
E perto de nós,
Ah, amor...
O mundo me deixa
e deixa de importar
e viver ao teu lado
se torna
excepcionalmente
digno.
(...)
Tua beleza
não reside na pele,
Tua melodia
não reside na voz
Tua saúde
não reside na carne,
Tua grandeza
não reside em ti.
(Ela reside em mim.)
(...)
O silêncio é a única melodia
que reside em minh'alma
Quando a boca fala,
Quando o coração palpita.
(Quando não o faz para ti.)
É o que me governa
quando a luz me falha
e a esperança queima.
(...)
Estou me perdendo
para mim mesmo,
(Salve-me!)
lutando
contra a própria sombra
que me mantém ileso
enquanto tento
ferir-me em teus braços.
Sou vítima
do próprio medo,
que me priva de tanto sofrimento,
que me protege de tanta alegria.
(...)
Chegou a hora.
Somente algo
tão estupidamente bom
poderia resistir
a tanta desordem.
Somente alguém
suficientemente humano
poderia amar
algo como eu.
Somente eu
para poder negá-la.
(Adeus.)
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Passagem.
Tem uma hora que você simplesmente sabe quando seu relacionamento vai acabar. Eu pelo menos soube. Antes de anunciarmos o fim, eu já havia transado com três mulheres diferentes em três semanas, e nenhuma delas era minha esposa. Falando assim, me coloco como um psicopata, mas não sou. Não é que eu não tenha me sentido culpado, sabe? Mas a culpa não me impediu de fazê-lo. Afinal, que tipo de homem eu seria se tivesse impedido? Talvez ser assim tenha vindo do meu pai, brigando e chamando minha mãe de vagabunda - e quem dirá que ela não era? - ou dos meus irmãos, abusando secretamente da empregada no quartinho de cima... Talvez eu esteja impelido a tratar todas as mulheres como lixo, mas quem liga? O fato é que pedi o divórcio e deixei que ela ficasse com a guarda dos filhos. Não fui educado a desprezar crianças, mas isso a gente aprende com o tempo.
Depois do divórcio, parei de transar como um coelho e sosseguei um pouco. Não é como se as mulheres tivessem acabado, mas perdi um pouco da animação para toda aquela atuação necessária antes do sexo. Todo esse fingimento sempre me enojou, mas ultimamente tem ficado pior. O que me leva exatamente onde eu queria chegar, claro! Penso que descobri o motivo para essa mudança de hábitos sexuais. Não acho que as mulheres, com suas silhuetas e outras artimanhas do corpo, me incentivaram a cometer o adultério. É a emoção do pecado - Essa sim! - que me incentivou a comer cada uma delas, e nada mais do que isso.
O pecado é a melodia que rege a minha vida.
Depois do divórcio, parei de transar como um coelho e sosseguei um pouco. Não é como se as mulheres tivessem acabado, mas perdi um pouco da animação para toda aquela atuação necessária antes do sexo. Todo esse fingimento sempre me enojou, mas ultimamente tem ficado pior. O que me leva exatamente onde eu queria chegar, claro! Penso que descobri o motivo para essa mudança de hábitos sexuais. Não acho que as mulheres, com suas silhuetas e outras artimanhas do corpo, me incentivaram a cometer o adultério. É a emoção do pecado - Essa sim! - que me incentivou a comer cada uma delas, e nada mais do que isso.
O pecado é a melodia que rege a minha vida.
Perdoe-me!
Senhor, com todo respeito, eu conheço sua filha há tempos, e ultimamente tenho pedido a ela para que nos apresentasse (embora minhas tentativas sejam falhas e a teimosia dela seja praticamente infinita, como o senhor deve saber). Peço perdão pelas marcas deixadas no pescoço de sua criação, mas peço que não as leve a mal, pois não foram feitas a modo que envolvesse qualquer situação não puritana (e dou-lhe minha palavra). Infelizmente (como o senhor já sabe, e trato em ressaltar-lhe esses pontos simplesmente para reforçar minha lógica), a pele de sua filha, por sua brancura que tanto aprecio, tem a tendência de guardar marcas com muita facilidade, e peço perdão (mais uma vez) por meu descuido em relação a isso. Espero um dia poder transmitir-lhe cara a cara minhas sinceras intenções, de modo que o senhor possa apontar, com alegre discrepância, as diferenças entre mim e os tantos rapazes sem caráter que poderiam estar ocupando meu lugar como - se me permite o termo - namorado (e talvez futuro cônjuge!) - de nossa amada e pequena Aurora.
Colecionador.
Confesso pena, dor, fome, preguiça, e tédio. Confesso ausência de qualquer motivação necessária para continuar atuando por entre seus sempres e ventres. Tudo que carrego pesa e me impede de continuar. Levo em mim a humilhação do rei que não soube diagnosticar a própria loucura e foi consumido pela psicose. Levo o carisma do trapaceiro, a lábia do charlatão e a sabedoria do diabo.
Levo as almas que comprei, as vidas que roubei e as mulheres que amei.
Pois dou deus de meus próprios pecados.
Sou um colecionador de lembranças.
Levo as almas que comprei, as vidas que roubei e as mulheres que amei.
Pois dou deus de meus próprios pecados.
Sou um colecionador de lembranças.
Excelentíssimo Pablo,
A lembrança entorpece a mente, não? Rum, por cura que seja, também envenena. Mas que bela noite de dama tão tonta! Tonta como eu, seus lábios não escolheram agir. Que horror, isso é errado!, Ela disse. Por pior que eu estivesse, foi inadequada a conduta, digna de vagabundo, moleque. Porém, que parte de mim teve escolha? O cárdio bombeava paixão junto ao maldito rum - sabes que, juntos, podem ser letais. Ao menos fui eu, e não outros! - É o que repito - Não farias o mesmo? Sou vítima do pecado como vítima do desejo - dela e por ela - que combato todos os dias com uma dose de literatura. Por isso, vim decorrer a ti. Afinal, escritores são médicos da paixão, então a cura deve estar na palavra. Mas e se nenhuma palavra serve, doutor? Que alternativa tenho senão padecer à presença - e talvez à ausência - de olhares e carícias? O que será de mim, se o que me entristece é a falta de um motivo bom o suficiente pra me entristecer? Será que vou morrer logo, ou já morri há tempos? Escrevo a ti, pois não posso escrever a ela, e nem escrevê-la para fora de mim. Estou ficando louco, senão mortal e pobre de alma. Me ajude, doutor, pois estou renascendo!
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